O crescimento populacional, especialmente a partir da
década de 50 do século passado, nos países de terceiro mundo, no entender da teoria neomalthusiana, determinaria a existência de uma população
excedente às possibilidades do desenvolvimento econômico desses países. E assim explicaria seu
subdesenvolvimento. Dois terços da humanidade estariam localizados na Ásia, África e América Latina.
Isso constituiria um obstáculo ao desenvolvimento, na medida em que essa população expandida, cuja
estrutura etária privilegiaria os mais jovens e as crianças, requisitaria investimentos não produtivos —
hospitais, escolas, etc. —, desviando recursos que poderiam ser diretamente produtivos — como a
construção de fábricas. Provocaria, inclusive, ao aumentar os efetivos da força de trabalho, um
desequilíbrio cada vez maior entre a oferta e procura de empregos, reduzindo os salários e
marginalizando amplas camadas de população do mercado de trabalho.
Amélia Damiani. População
e Geografia, São Paulo: Contexto, 2012, p. 23.